Recanto nem tão secreto de uma Ariana

Aceita um copo? Então sente-se, acomode-se e divirta-se.

27 fevereiro, 2010

Lei de Murphy - Cap. VI

A nova reunião dourada, ou as coisas começam a melhorar...

Tudo estava complicado no Santuário. O aparecimento de um Mu criança e ainda assim poderoso tinha deixado as coisas realmente de pernas para o ar. Shaka estava compenetrado em tentar controlar o pequeno e decifrar junto a Camus o que seria essa história de "amor". Seu humor não andava dos melhores.

Enquanto isso, nas planícies asiáticas Liu e seus ajudantes continuavam a se alimentar. A cada dia novas notícias apareciam nos jornais a respeito de mortes estranhas e cruéis. Alguns países já estavam enviando seus serviços de inteligência, mas nada conseguiam descobrir, não existiam pistas, apenas corpos. Era como se o assassino sumisse no ar. Saori acompanhava tudo, não só pelos noticiários mas também pela rede de informações da Fundação. Estava cada vez mais preocupada. Resolveu convocar uma nova reunião dourada.

- Precisamos fazer alguma coisa. Temos que proteger e salvar o mundo. A cada dia eles estão mais poderosos. Estou com receio de que, daqui a pouco, nada mais possamos fazer.

- Saori, se você não percebeu, nem mesmo agora podemos fazer nada. – Shaka foi o primeiro a se manifestar. Achava aquela reunião mais uma perda de tempo.

- Não é bem assim, Shaka. Agora já temos mais informações. Sabemos quem são e o que podem fazer. Talvez consigamos traçar algum plano de ação, nem que seja para tentar frear um pouco esses assassinatos.

- Bom, sou todo ouvidos até que Mu resolva dar outro ataque. Que moleque mal educado! Prefiro a versão adulta.

- Creio que todos nós preferimos. Não estamos muito acostumados a lidar com crianças.

- Quero ver como vai ser quando a gente começar a ter filhos.

- Milo, se você não percebeu, a grande maioria de nós nunca vai ter filhos.

- Olha Afrodite, depois de tudo que eu já vi acontecer aqui, não duvido de mais nada...

Gargalhada geral na sala. Só mesmo Milo para ter uma tirada dessas. A grande maioria dos cavaleiros de ouro, depois de renascerem, acabou se envolvendo entre si. Poucos namoravam mulheres, então era impossível, se os relacionamentos continuassem, que viessem a ter filhos.

- Gente, acho melhor voltarmos ao nosso foco. O que faremos então? Alguém tem alguma sugestão? – Aldebaran gostava de reuniões sociais, mas naquele momento estava mais preocupado em tentar resolver o problema e voltar a sua vidinha pacata. Gostara da calma que se instalara após a guerra santa.

- Creio que se fossemos em dupla para a Ásia, poderíamos tentar descobrir onde eles se escondem seguindo o rastro das mortes e tentar, de alguma maneira salvar outras pessoas.

- Mas se forem pegos estarão mortos. Não pensou nisso Aiória?

- Pensei, mas juramos entregar nossa vida para salvar Athena e o mundo. O que é a nossa vida?

- Talvez tenha razão, mas quem iria? Como deixar o Santuário mais desguarnecido ainda? Já estamos sem o Cavaleiro de Ouro de Áries, ficaríamos ainda sem mais dois cavaleiros de ouro? Não seria uma loucura?

- Esperem, vocês estão esquecendo de mim. Sou um lemuriano, ainda sou um cavaleiro. Eu devo ir. Acredito que a Armadura de Áries ainda aceite meu comando na falta de Mu.

- Pensei que você nunca fosse se manifestar! Mas quem você levaria com você, Shion?

- O ideal seria você, Shaka, mas deve ficar aqui, onde é mais necessário. Penso em levar Dokho. Alguém tem algo contra?

- Seria a escolha ideal. Chame Dokho ao Santuário, eu sei que tem como falar com ele – até mesmo Saori já estava insinuando saber do relacionamento dos dois – e preparem juntos o detalhe da viagem. Camus, avançou na tradução do diário?

- Sim. Já tenho mais alguns dados. Posso passá-los diretamente a Shion.

- Faça isso, creio que podemos dar nossa reunião por encerrada agora.

- Sim. Temos muitas questões práticas. Não devemos perder tempo aqui. – Shaka foi o primeiro a levantar-se para sair.

O Cavaleiro de Virgem voltou para sua casa. Deixara Mu brincando no seu jardim e não sabia o que ele era capaz de aprontar sozinho. Shion seguiu Camus até a casa de Aquário para saber o que o cavaleiroconseguira descobrir.

- Veja bem, por tudo que eu consegui traduzir deste diário, a luta entre o antigo cavaleiro lemuriano e essas entidades foi bastante dura e ele não conseguiu mata-los, isso nós já sabíamos, apenas adormece-los. Eles precisam comer carne humana para repor suas forças depois de algum tempo adormecidos. Não podem matar lemurianos, mas podem utilizar-se de feitiços contra eles, como aconteceu com Mu. A força direta não funciona, afinal são seres aparentemente imortais. Deve-se evitar que eles comam, e se possível afasta-los da floresta onde moram, e nunca, nunca se deixar pegar. Eles só conseguem utilizar os feitiços se estiverem em seu esconderijo. Parece que são muito ligados a esse lugar, que é de lá que tiram a sua força. Se forem afastados deste esconderijo, ficam fracos e acabam adormecendo novamente.

- Mas de qualquer forma estaríamos empurrando o problema para uma outra geração.

- Creio que devemos a princípio tentar adormece-los e depois então pensar em como extermina-los de verdade e para sempre. Precisamos salvar Mu e as pessoas inocentes daquela região.

- É verdade. O que sugere?

- Que vocês façam um cerco de segurança evitando que pessoas circulem pela região onde os ataques tem acontecido. Isso os forçaria a ir mais longe para caçar. Assim, poderiam seguir seus passos e tentar descobrir onde é o esconderijo.

- Pensei também em um ataque frontal, apenas para deixa-los irritados e forçar um ataque ao Santuário. Longe de sua fonte de força e próximo da nossa fonte de força. O nosso território. Assim poderíamos dar cabo da "operação canceira".

- "Operação Canceira" que nome horrível. Prefiro "Operação Bela Adormecida".

- Que seja. Vou chamar Dokho e a Armadura de Áries.

- Vá. Boa sorte amigo.

- Obrigado.

Shion se retirou para o Templo de Áries, que estava vazio, e começou a meditar. Sentiu a Armadura de Áries responder a seu chamado. Uma aura dourada envolveu o templo e a urna se abriu. Shion pôde sentir a força da Armadura no momento que ela envolveu seu corpo. Seu discípulo havia realmente se tornado um grande cavaleiro e um grande armeiro. A armadura estava viva, forte. Podia sentir o poderoso cosmo de Mu em cada pedaço dela. Ele a havia restaurado com seu próprio sangue. Era uma operação perigosa, mas deixava a armadura muito mais viva e forte. Sentiu-se renovado, rejuvenescido. Pôs-se novamente a meditar e chamar por Dokho. Sentiu quando seu cosmo entrou em contato com o doce e amado cosmo do cavaleiro de Libra.

- Precisamos de você, meu amor. Venha até o Santuário o mais rápido possível. É realmente importante.

- Nunca poderia recusar um chamado seu e de Athena. Estarei ai em breve, me aguarde.

- Eu te esperarei para sempre.

Dokho não respondeu, mas sorriu. Shion seria sempre o seu eterno amor e por mais que muitas vezes ficassem por anos separados, nunca esqueceria aquele corpo, aquela voz, aqueles cabelos. Não via a hora de revê-lo. Preparou uma pequena mala e correu para o Santuário. Em pouco tempo já estava a frente do Templo de Áries. Elevou seu cosmo e pediu pressão para entrar. Sabia que Mu nunca impediria sua passagem, estranhou quando foi atendido pelo próprio Shion, utilizando a armadura de Mu.

- O que está ocorrendo aqui? Vai lutar novamente?

- Vamos lutar, meu querido, vamos lutar. Entre. Vou fazer um chá para nós dois enquanto te conto tudo que está acontecendo.

Mal Dokho acabou de entrar no Templo de Áries, viram Mu passar correndo com uma estátua de Buda flutuando na sua frente e sentiram o cosmo de Shaka irado vindo atrás. Logo puderam ouvir a voz do cavaleiro.

- Mu de Jamiel! Volte já aqui! Me devolva isso seu moleque mal educado!

- Você não me pega... lalalalalalalal – Mu parou e mostrou a língua para Shaka que armou um Tesouro do Céu para cima dele.

- Chega Shaka! Ele é só uma criança.

- E bem da mal educada. Dê um jeito nele então você. E trate de recuperar meu Buda inteiro! – Shaka parou e cruzou os braços esperando a reação de Shion.

Shion usou sua telecinese e recuperou a imagem de Shaka, devolvendo-a a ele. Depois levantou Mu do chão e o trouxe para perto de si.

- Que coisa mais feia, Mu! Onde já se viu pegar as coisas dos outros para brincar. Não foi isso que nós te ensinamos. Pode tratar de sentar ali de cara para a parede e pensar nas besteiras que está fazendo e se eu ver o que quer que seja voando dentro desta casa, você vai ter que se entender comigo. Fui claro?

- Sim, Tio, desculpe, mas é tão divertido deixar o Tio Shaka nervoso.

- Pois não é nada engraçado aborrecer ninguém. Trate de arrumar outra coisa com o que se divertir depois que sair do castigo! Agora vá! Sente-se lá e não ouse levantar até eu mandar!

Mu foi direitinho sentar-se de cara para a parede. Como uma criança educada.

- Uau! Gostei dos seus métodos, preciso pegar umas aulas com você.

- Esqueceu que ele já foi meu discípulo?

- Quer dizer que ele era atentado assim quando pequeno?

- Você nem faz idéia Shaka... Nem faz idéia, mas eu nunca seria capaz de machuca-lo ou fazer o que quer que seja com ele. Só que ele nunca soube disso. Meu filho puxou a mim. Eu também fui uma peste quando criança. Na realidade a gente só precisa de um pouco de autoridade e atenção.

- Que história é essa de filho? Mu nunca me falou nada a respeito.

- Ele nunca soube. Sempre achei melhor assim. Eu não gostaria de ter que falar sobre a mãe dele e muito menos sobre as condições que envolveram seu nascimento.

- Entendo, e não vou perguntar. Mas creio que quando ele voltar ao normal deveria contar a ele.

- Talvez. Não sei. Estou concentrado agora apenas em salva-lo. Entende agora que realmente sou o único que deve ir atrás deles? O que eles fizeram ao meu filho é imperdoável. Como você acha que eu me sinto vendo Mu assim?

- Não só você. Você não tem idéia do amor que sinto por ele. Culpo-me todos os dias por não ter estado junto a ele para protege-lo. Mu é o amor de minha vida, e a cada dia estou morrendo um pouco o vendo assim. Por isso ando tão nervoso. Tão irritado.

- Shaka, Mu agora é apenas uma criança sem referencial nenhum. Faz essas estripulias apenas para chamar atenção. Vá lá, converse com ele, abrace-o, dê carinho a ele e verá como ele ficará em suas mãos.

Shaka pensou por alguns instantes e aproximou-se de Mu que estava em outra sala ainda sentado olhando para a parede.

- Mu...

- Sim, Tio... Me desculpe, era só uma brincadeira.

- Eu sei, não vim aqui para brigar com você.

- Não?

- Não. Vim apenas para te chamar para ir comigo comer um sorvete. O que acha?

- Tio Shion deixou?

- Sim. Então, o que acha?

- Eu adoro sorvete! Pode ser um bem grande?

- Depende...

- Depende de quê? – Mu olhou desconfiado para Shaka.

- Depende da quantidade de beijos que você vai me dar.

Mu riu e pulou em cima da Shaka enchendo o rosto do cavaleiro de beijos molhados. Os dois rolaram pelo chão brincando. Shaka pensou consigo mesmo: o conselho de Shion havia sido perfeito. Talvez fosse bem mais fácil lidar com o pequeno Mu do que ele imaginara. Levantou-se e saiu correndo, gritando.

- Quem chegar por último ao Templo de Virgem vai ficar sem sorvete!

Os dois começam a subir as escadas numa correria desabalada. Shion olhou a cena e começou a rir. Talvez o pequeno Mu fizesse o sisudo e mal humorado cavaleiro de virgem encontrar um pouco da sua infância perdida. Nesse momento se lembrou de Dokho que olhava tudo que estava acontecendo com cara de bobo.

- Será que você pode me explicar tudo que acabou de acontecer nesta casa?

- Claro, sente-se, vamos ao nosso chá que a história vai ser longa.

- Imagino. – disse Dokho, sentando-se na cadeira indicada por Shion esperando calmamente a explicação. Depois de tudo explicado...

- Agora as coisas estão começando a fazer sentido. Então quer dizer que você me enfiou nessa rabuda?

- Com quem mais eu poderia contar?

- Ninguém, creio eu. E é lógico que eu o ajudarei a salvar seu filho.

- Eu sabia que poderia contar com você. – Shion esticoua mão e acariciou o rosto de Dohko com suavidade.

- Eu nunca seria capaz de recusar um pedido seu. Além do mais gosto muito de Mu, ele é um garoto especial, sempre foi. Shaka foi abençoado em tê-lo, assim como eu fui abençoado em ter você. Vamos trabalhar.

- Creio ser melhor descansarmos e partimos ao alvorecer.

- Que seja.

Shion e Dohko acabaram de tomar o chá e se recolheram aos aposentos particulares da casa de Áries. Descansariam sim, mas não antes de matar as saudades.

Enquanto isso, na casa de Virgem, Mu e Shaka atacavam um pote de sorvete a colheradas, sentados no chão, no meio do pátio da casa.

- Está gostoso?

- Delicioso, tio! Você está tão legal hoje! Prometo que não pego mais as suas coisas.

- Que bom! Você é um bom garoto. Amanhã vou começar a te ensinar como controlar melhor seu poder de levitar as coisas. O que acha?

- Vou poder pregar peças nos outros melhor?

- Mu! Os poderes que nos são dados pelos deuses não são para pregar peças ou brincar. São para ajudar as pessoas simples a ter uma vida melhor. Consegue me entender?

- Mas como o poder de levitar coisas pode ajudar alguém?

- Quer ver?

- Claro.

Shaka chamou a serva da casa de Virgem.

- Aisha, poderia por gentileza pegar o pote de biscoitos sobre o armário?

Aisha se esticou, pulou e não conseguoiu pegar o pote, quando ia pegar a cadeira para subir, Shaka usou seus conhecimentos de telecinese e fez com que o pote cheguasse as mãos da serva.

- Viu? Isso foi apenas um exemplo simples. Muito obrigado pela ajuda, Aisha!

- Sempre a disposição, Mestre Shaka. Peço licença para me recolher.

- Vá. Sei que trabalhou muito hoje. Descanse com os deuses.

- Obrigada, Mestre Shaka, com licença.

Mu olhava para tudo com olhos arregalados, espantado. Shaka era uma pessoa muito boa. Era chato demais às vezes, mas mesmo assim uma pessoa muito boa aos olhos inocentes dele.

- Tio, quer dizer que eu poderei ajudar as pessoas com os poderes que tenho?

- Claro! Eles nos são dados para isso.

- Você me ajuda?

- Lógico que sim. Que tal irmos dormir agora? Amanhã acordaremos cedo para começar a treinar.

- Vamos. Você conta uma história pra mim?

- Claro. Venha!

Mu deitou-se na cama destinada a ele por Shaka depois de colocar um pijama e escovar os dentes. Shaka sentou-se na beirada da cama com um livro na mão. Quando notou a cabeça de Mu já estava sobre suas pernas. Ele começou a contar a história enquanto acariciava o cabelo do "garoto". Em poucos momentos Mu já estava adormecido. Shaka começou a se lembrar de como dormiam juntos e de como Mu sempre gostou de adormecer sobre seu corpo.

De repente Mu começou a se agitar e a se debater na cama. De seus lábios saiam palavras desconexas, que aos poucos elas começavam a ter sentido e eram detalhes da batalha contra Hades. Será que ele estava lembrando de algo? Shaka não teve coragem de acordá-lo, mas o abraçou bem forte. Mu suava frio. Uma lágrima sofrida escorreu pelo rosto de Shaka e caiu sobre o rosto de Mu.

- Shaka, meu amor! Onde você está?

Shaka deu um pulo da cama quase derrubando Mu no chão. Será que ele havia lembrado dele? Quando Shaka pulou, Mu acordou assustado.

- Shaka, o que aconteceu? Tive uns sonhos estranhos... Me abraça por favor...

- Mu, você lembrou de alguma coisa? Antes de chegar aqui?

- Não sei, umas sensações estranhas.

Mu ainda não se lembrava de nada, mas já estava agindo com mais maturidade, podia ver isso nos olhos dele. Era como se tivesse crescido vários anos em alguns poucos minutos. Shaka lembrou-se do que Camus falara sobre o amor. Será que era isso? Tratá-lo com amor. Dar a ele todo amor que tinha em seu coração faria com que ele voltasse?

Shaka abraçou Mu novamente, elevou seu cosmo para acalmá-lo e acariciou seu rosto.

- Mu me desculpe se as vezes fico nervoso. Eu o amo muito.

- Eu não sei exatamente o que é o amor. Não consigo me lembrar de nada, não sei quem sou ou o que foi a minha vida, mas me sinto muito bem a seu lado, Shaka.

- Então ficará a meu lado pelo tempo que quiser.

- Sim, eu ficarei.

24 fevereiro, 2010

Lei de Murphy V

As confusões só começaram

Shion segurou Shaka pelo braço para que ele contasse tudo que acontecera. Shaka começou a rir.

- Tenho problemas demais e tempo de menos para te contar a longa história. Pergunte a Saori, ela sabe de tudo e poderá te explicar mais amiúde.

Pegou Mu pelo braço e foi arrastando-o para dentro do templo do grande mestre, deixando Shion parado com cara de bobo. Shaka riu. Era uma pequena vingança, um pequeno prazer. Poderia parecer bobagem, mas tinha gostado de ver Shion com cara de pateta. Em parte, ele era culpado por tudo que estava acontecendo consigo e com Mu. Por que ele havia sumido? Onde ele estava na hora que mais precisavam de um lemuriano? Agora ele que se virasse com Athena. Levou Mu para os jardins do templo do mestre onde sabia que encontraria os meninos de bronze. Realmente eles lá estavam jogando uma "pelada". Mu quando viu a bola rolando imediatamente ficou em estado de êxtase. Uma criança e uma bola são duas coisas quase que inseparáveis.

- Tio, posso jogar. Só um pouquinho... Deixa, vai...

- Claro que eu deixo mais você tem que pedir para os meninos...

Mu foi para o meio da roda e começou a gritar...

- Deixem eu jogar um pouco!

Os garotos de bronze nada entenderam. O que estaria acontecendo com o cavaleiro de Áries? De qualquer forma não pararam muito para discutir, imediatamente passaram a bola para o ariano. Mu chutou desajeitadamente, a bola tomou um rumo completamente diferente do pretendido por ele. O "garoto" olhou para o gol desejando que a bola fosse naquela direção e como por um milagre a bola foi. Shaka ao ver o acontecido colocou as mãos sobre o rosto e murmurou para si mesmo:

- Agora fudeu de vez. Ele não tem nanhuma lembrança e nenhuma maturidade mas conserva todos os seus poderes. Nem os deuses sabem o que pode ser de nós agora. Eu não mereço isso! Decididamente eu não mereço. - acabou de resmungar e gritou por Shun.

- Mestre, o que houve com Mu?

- Boa pergunta. A pergunta que não quer calar. Ainda não sei e preciso pensar sobre isso. O máximo que posso afirmar é que ele não lembra nada sobre nós e está agindo como um bebê. Preciso que vocês fiquem tomando conta dele, enquanto eu pesquiso uma solução para nosso problema.

- Claro mestre. Cuidarei de Mu para o senhor. Pode ficar tranquilo.

- Ele está sob seus cuidados agora. Voltarei para meu templo e irei meditar. Por favor, Shun, só me incomode se for de extrema urgência. Peça a Saori que converse com Shion a respeito de tudo que está acontecendo. Talvez ele tenha alguma solução.

- Farei o que me pede.

- Obrigado Shun, sabia que podia contar com você.

Shaka voltou para seu templo, estava realmente preocupado com seu amado, porém precisava descansar e precisava também de um pouco de paz. Nada poderia resolver no estado de espírito que se encontrava. Arrumou metodicamente toda bagunça aprontada pelo "moleque", sentou em seu trono de Lótus e pôs-se a meditar. Desligou-se de todo o mundo exterior a procura do nirvana. Precisava urgentemente estar em sintonia com seu mestre Buda e com todas as forças da natureza para que pudesse enfrentar os perigosos inimigos que sabia ter pela frente.

Enquanto isso Mu ficou "hospedado" no templo do mestre. Shun já se arrependera amargamente de ter aceitado a incumbência de Shaka. Primeiro foi o jogo de futebol frustrado, porque o moleque direcionava todas as bolas para o gol e quando ela não estava nos pés dele, ele "chamava" a bola para si. Depois foi a hora do lanche. Estavam todos na cozinha e o "Muzinho" gritava:

- Tio, tô com fome, quero leite, quero pão de milho e requeijão...

- Mas só tem pão com manteiga. Trata de comer moleque! - Shun perdera a pouca paciência que ainda restava.

- Eu não gosto de manteiga... - e o berreiro estava armado.

- Bom, se você não quer manteiga pode ficar com fome mesmo.

- Tá bom, me dá um pouco disso mesmo... - Mu enfiou todo o pão na boca com a cara mais emburrada do mundo.

Será que Shion agüentou isso quando ele era aprendiz? Precisamos com urgência arrumar um mestre pra esse moleque. Shun chamou Saori para conversar. Ele sozinho não daria conta de Mu. Nunca antes cuidara de uma criança e ainda mais uma criança tão cheia de vontades.

- Saori, não sei mais o que fazer com Mu. Preciso de ajuda.

- Chame Shaka.

- Mas foi ele mesmo que deixou Mu sob meus cuidados. Creio que o mestre está estressado e confuso com tudo que está acontecendo, e em última instância Mu é sua responsabilidade.

- O que você está querendo dizer, Shun?

- Nada, nada, esquece.

Shun voltou para o jardim, onde havia deixado Mu. Neste momento ele encontrava-se brincando com algumas flores.

- Tio, você conhece o nome de todas essas flores?

- De algumas. Você gosta de flores?

- Eu acho elas bonitas. Mas não conheço. Na verdade, nem sei como cheguei aqui. Nem sei quem são vocês, mas vocês são legais.

- Você está no Santuário da Deusa Athena. Nem nós sabemos como você chegou aqui, mas gostamos de você.

- Bom.

- Você lembra de alguma coisa antes de chegar aqui?

- Lembro de uma gruta e uma tia muito bonita que me colocou no colo dela. Depois eu dormi e acordei aqui.

- E você está gostando daqui?

- A comida é ruim. Mas estou gostando sim.

Shun não pôde deixar de rir. Levantou-se e chamou pelo moleque.

- Está na hora de irmos pra cama, estou muito cansado e já passou da hora de dormir.

- Mas eu não quero dormir. Estou sem sono.

- Por Zeus, Mu, a lua já vai alta há muito tempo. Vamos, não discuta.

- Mas eu não quero.

Mu empurrou Shun que voou alguns metros e caiu sentado. Ele tinha a força de um cavaleiro e não sabia como controlá-la. Precisava tomar alguma providência antes que alguém se ferisse feio. Ele mesmo, se não fosse um cavaleiro, estaria com problemas sérios. Levantou-se e preparou-se para chamar a atenção do mal-educado.

- Mu, preste bem atenção. Nunca deve bater nas pessoas, principalmente nas pessoas mais velhas. Isso não é certo, se fizer de novo, vou ter que te colocar de castigo e amanhã nada de jogo de bola. Fui claro.

- Sim, tio. Desculpe, foi sem querer.

- Você tem que aprender a controlar a sua força. Amanhã vou começar a te ensinar isso. Agora vamos dormir sem mais discussões.

- Ta bom. – Mu emburrou a cara, mas seguiu Shun.

Shun já estava no limite de sua paciência e de sua força física. Levou Mu para uma suíte que havia sido preparada pelas servas de Saori. O ensinou a escovar os dentes, escovou seus longos cabelos lavanda os prendendo em uma trança e colocou-o na cama.

- Tio, posso te pedir uma coisa?

- Que foi agora? Estou muito cansado. Preciso tomar o meu banho para dormir.

- Tudo bem, deixa pra lá.

- Fale. Já começou agora fale. Verei se posso te ajudar.

- Só queria pedir para você me contar uma história que me ajudasse a dormir. Você parece saber tantas.

Shun ficou desnorteado. Toda sua prevenção e seu cansaço foram imediatamente esquecidos. A doçura e a carência do "pequeno" Mu amoleceram seu coração que já era de manteiga mesmo. Achou que era uma boa idéia contar para Mu sua própria história, quem sabe não despertasse algo em sua memória. Mas que parte ele contaria? Achou melhor falar sobre o cavaleiro que era capaz de consertar armaduras e ajudou a cinco cavaleiros de bronze a não morrer em uma batalha cruel. Sentou-se na cama e deixou que Mu deitasse em seu colo. Sentiu saudades de Hyoga. Não via a hora dele mesmo recostar a cabeça no colo de seu amado.

Fazia cafuné na cabeça de Mu enquanto ia contando um pouco do passado do Santuário e deles mesmos com voz suave e cadenciada. Em poucos minutos ouviu o ressonar suave e percebeu que o cavaleiro estava completamente adormecido. Um anjo. Ele não podia ser sempre assim? Colocou suavemente a cabeça do ariano sobre o travesseiro e foi para seu próprio quarto. Precisava descansar, precisava dos braços de Hyoga. Fora um longo dia e o dia seguinte prometia ser pior.

Mu realmente dormiu profundamente, mas durante a noite seu sono começou a se agitar. Tinha sonhos estranhos incompreensíveis e acordou gritando. Desnorteado e com medo já havia arremessado todos os objetos que encontrara pelo quarto longe. Parecia uma cena de possessão. Tudo voando desordenadamente pelo quarto. Todos foram acordados com o barulho e correram para o quarto, assustados com todo o barulho. Saori rapidamente foi pedir ajuda a Shion.

- Só você pode controlar Mu. Por favor, nos ajude!

Shion, já acordado por toda a confusão, correu para o quarto onde estava o pupilo. Usou seu grande poder de telecinese para fazer com que tudo que voava aterrissasse. Enquanto isso Saori correu para a cama e abraçou Mu, tentando acalmá-lo para que nada pior acontecesse.

- Calma, meu querido, já passou. Tudo está bem agora, foi só um sonho mau. Calma, você está seguro aqui.

- Tia, tinha uns homens com armaduras estranhas querendo me matar. Fiquei com tanto medo...

- Foi só um sonho mau, ninguém quer te ferir ou matar aqui.

- Será que você poderia dormir aqui comigo? Estou com medo!

Seiya olhou de cara feia. Se Saori ficasse com Mu quem ia ter sonhos maus era ele.

- Saori. Vamos para cama! Ele já passou da idade de dormir com a Tia.

- Eu vou fazer o que eu achar certo! Fique quieto Seiya, não piore as coisas! – Saori começou a se irritar com a insensibilidade do cavaleiro de Pégasus.

Mu olhou com raiva para o cavaleiro de Pégasus. Queria que aquele chato sumisse. De repente se viu uma grande luz dourada. Shion só teve tempo de gritar para Seiya evaporar antes de se ouvir uma grande explosão e uma parede destruída.

- Mu, por favor, se acalme. Eu vou ficar aqui com você. Não vou a lugar nenhum.

- Obrigado. – ele deitou-se e se abraçou a deusa, em pouco tempo dormia novamente. O cosmo quente de Saori o havia acalmado e consolado.

No dia seguinte Shion e Saori juntos resolveram visitar o templo de Shaka. Precisavam dele. Não conseguiam nada com Mu, apenas Shun tinha algum mínimo controle sobre o "garoto". O templo do mestre já estava parcialmente destruído com as crises de medo ou nervoso de Mu. Shion tentou ensinar um pouco de controle mas foi rejeitado. Não sabia como lidar com Mu. Quando ele era realmente pequeno e era seu pupilo, fora relativamente fácil, se impunha pelo medo. Além disso, ele tinha o objetivo de ser cavaleiro. Fora doutrinado para isso desde que nascera. Agora não. Tudo era diferente. Não sabia o que fazer.

Quando chegaram a Virgem, Shaka ainda meditava. Saori elevou seu cosmo chamando pelo cavaleiro. Quando Shaka saiu de sua meditação seu mau humor era indescritível.

- Espero que vocês tenham um bom motivo para quebrar minha concentração.

- Precisamos de sua ajuda! Não sabemos mais o que fazer com Mu.

- E eu com isso? Você criou esse problema! Resolva!

- Shaka, mais respeito!

- Respeito? Você só pode estar brincando comigo. Eu realmente não estou com ânimo para brincadeiras. Minha vida se transformou em caos por conta de suas estratégias. Agora eu tenho que resolver a sua vida? Minha obrigação é te proteger!

- Então me proteja de Mu.

- Com medo de crianças Saori?

- Com medo de uma criança muito poderosa que está completamente fora de controle e já destruiu minha casa toda.

Shaka não pôde fazer mais nada. A forma como as coisas tinham sido colocadas o forçava a envolver-se novamente. Seu coração estava sangrando. Sentia dor. Sentia medo. Sentia falta de Mu, do Seu Mu. E sentia-se acima de tudo impotente. Tantos sentimentos escondidos dentro de si eram extravasados em forma de péssimo humor, ironia e aparente descaso. Era a sua defesa. Mas agora precisava enfrentar novamente o problema de frente e não sabia como agir. Será que Camus havia descoberto algo em suas pesquisas? O francês era bom nisso.

- Irei para o templo em pouco tempo. Antes apenas falarei com Camus. Preciso saber como estão suas pesquisas. Não me demorarei, senhora.

- Obrigada, Shaka. Sabia que podia contar com você.

- Por favor, me poupe de ironias. Você não é uma especialista nisso.

- Credo! Você está mais azedo que limão estragado.

- Você definiu bem meu estado de espírito, então por favor, deixe-me apenas fazer meu trabalho! – Shaka fez questão de frisar a palavra trabalho.

Precisava de um banho e de comer algo, meditara por quase um dia inteiro. Banhou-se com calma, lavando com cuidado seus longos cabelos louros, colocou um sari leve e confortável, sabia que seu dia seria longo e desgastante. Comeu algumas torradas com geléia de amoras e uma xícara de chá. Estava pronto. Saiu de seu templo subindo as escadarias em direção ao templo de Saori, mas antes faria a escala em Aquário.

Quando chegava em Aquário, viu um Camus esbaforido com um livro empoeirado e velho nas mãos.

- Shaka que bom encontrá-lo, ia a sua procura.

- Novidades?

- Sim.

- Boas?

- Não sei... Entre, vamos conversar.

Shaka entrou em Aquário e se acomodou em uma cadeira, receoso. O Camus teria a dizer? Será que ele descobrira o que estava acontecendo com Mu? Aguardou que o outro começasse a falar.

- Como sabe, desde que Saori nos falou sobre as entidades comecei a fazer uma pesquisa sobre elas. Não encontrei muita coisa a princípio. Estava quase perdendo as esperanças quando encontrei este livro perdido na biblioteca.

- E o que ele nos esclarece?

- Bom, na verdade não é bem um livro, é uma espécie de diário de um lemuriano que lutou em outras épocas com estas mesmas entidades. Algumas coisas ainda não consegui traduzir, está em uma língua praticamente morta e os dicionários que temos dela não são muito completos. Muitas expressões estou tendo que traduzir pelo sentido e isso acaba atrasando o trabalho. Mas aparentemente, segundo o que consegui entender, este cavaleiro que lutou contra eles presenciou uma situação parecida com a que Mu está passando e identificou um feitiço utilizado por eles capaz de tirar a memória das pessoas. Ele descreve como foi feito para reverter este feitiço, mas está muito confuso. Preciso de ajuda, ainda não consegui encontrar um sentido lógico para tudo, mas fala alguma coisa, repetidas vezes, sobre o amor incondicional como sendo a chave de tudo.

- Amor incondicional, isso é tão vago... Como utilizá-lo? Como fazer? Que tipo de amor? Pai/filho, amigo/amigo, amantes?

- Não sei, como disse, está um tanto confuso, já me fiz essas perguntas mas ainda não consegui as respostas.

- Cada vez mais confuso. Está tudo cada vez mais confuso. Pelo menos já sabemos que este feitiço ou seja lá o que for, já foi utilizado alguma vez e que existe uma maneira de neutralizá-lo. Já demos um grande passo. Obrigado meu amigo. Por favor, continue seu trabalho. Vou conversar com Shion e ver se ele pode ajudá-lo. Tenho que ir cuidar de Mu. Ele está incontrolável segundo Saori e ela me escalou para dar um jeito na bagunça.

- Seria cômico se não fosse trágico. Bom trabalho Shaka... – Camus controlou o riso ao mirar a cara de desânimo do outro.

- Você tem andado demais com Milo. Está ficando muito engraçadinho.

Camus apenas riu. Não tinha o que falar. Sabia que no fundo Shaka tinha razão. O viu sair de seu templo apressado em direção a sala do mestre. Sentiu pena deles, mas não era hora de filosofar. Pegou o mofado exemplar e se preparou para retornar ao exaustivo trabalho de tradução. Era o que podia fazer agora para ajudar.

30 julho, 2009

Lei de Murphy - Cap. IV

O confronto

Ao encontrar Mu, Shaka correu até ele sem preocupar-se com mais nada a sua volta. Ajoelhou-se e segurou o corpo adormecido de Mu em seu colo. Nada falou além do chamado desesperado. Seu coração estava despedaçado com a cena que tinha diante de seus olhos. Acariciou os sedosos cabelos lavanda. Ainda silenciosamente tirou o manto que tinha sobre o sari e cobriu a nudez do amado. Olhou as doze casas com rancor. Havia entregue sua juventude, sua vida e agora que encontrava a felicidade ela era novamente arrancada de si. Não importava quem ou o quê havia feito aquilo com Mu, iria pagar caro, muito caro.

Levantou-se com o ariano em seu colo e começou a subir as escadarias. Os cavaleiros que guardavam as casas de Touro, Câncer, Gêmeos e Leão olharam curiosos para a cena. Shaka subindo as escadas com Mu adormecido enrolado apenas em um manto, Shun e Hyoga silenciosamente atrás. Mu estaria morto? Apesar da curiosidade nenhum deles tivera coragem de emitir um único som. Nada. Apenas respeitoso silêncio.

Shaka depositou Mu com suavidade em sua cama, acendeu um incenso de sândalo e saiu do aposento. Shun e Hyoga esperavam ansiosamente pelas decisões de Shaka, mas respeitavam seu momento e sua dor, aguardando no salão da casa de Virgem.

- Shun, Hyoga, comuniquem a Athena minha chegada e também o aparecimento de Mu. Digam a ela que solicito sua presença em minha casa.

- Mestre, Mu está ... – Shun não sabia como obter a resposta crucial.

- Morto? Não! Meu amado está apenas adormecido, enfeitiçado.

- Por Zeus! Sabe como desfazer o feitiço, Shaka?

- Creio ser apenas uma questão de tempo, Hyoga. Só não faço idéia de como ele irá acordar. Por favor, façam o que eu pedi.

Shun e Hyoga retiraram-se sem mais demora em direção ao décimo terceiro templo levando o recado de Shaka. Estavam apreensivos, o que poderia estar ocorrendo afinal? Shun, enquanto subia as escadas, pensava nas lutas passadas. Nunca vira um poder assim, pois Mu não parecia ter lutado. O que derrubaria um cavaleiro forte como ele sem luta? E por que ele não fora morto? Lembrou-se de Camus. Ele havia dito que tinha uma sensação de que ainda haviam segredos e Shun agora, mais que nunca, tinha certeza absoluta disso. Sacudiu a cabeça e balançou os cachos verdes tentando espantar os pensamentos funestos. Tudo seria esclarecido em seu devido tempo. Assim seria.

Saori recebeu o recado de Shun e desceu as escadas em uma correria desabalada. Então era tudo verdade. Chagou ofegante à casa de Virgem entrando de maneira atabalhoada.

- Pode ficar tranqüila, Athenas. Mu está fisicamente bem e ainda adormecido. Temos muito tempo para conversar. Sente-se. Aceita um chá?

Saori sentou-se em uma almofada indicada por Shaka e aceitou o chá com um aceno de cabeça. Precisava de tempo para regularizar a respiração e tentar ordenar um pouco as idéias.

- Shaka, desculpe-me. Preciso contar-lhe o que está acontecendo.

- Poupe seu fôlego. Já sei o que está acontecendo.

- Shun...

- Por favor, Saori, chega! Eu sei que és Athena, que devemos a você toda lealdade e obediência, porém, se ele nada me contasse, eu não viria. Vamos deixar hierarquias e ordens fora dessa casa.

- Shaka! Eu tive meus motivos para ordenar o que ordenei. Eu queria evitar exatamente este rancor, este ódio que posso claramente ver que está dominando seu coração.

- De que maneira Saori? – Shaka perdeu o controle e gritou, com toda a fúria que o dominava. Não mais se importava se estava falando com uma Deusa ou com uma colegial – Como eu poderia perdoá-la se tirou Mu de mim? Que loucura é essa? Que segredos são esses? Por que eu? Que merda!

- Se você me ouvir talvez consiga entender.

- Não creio, mas vá em frente.

- Shaka, o que você sabe a respeito das “Entidades da Floresta Sangrenta” ?

- Por Buda! São eles?

- Sim.

- Mu... um lemuriano... – Shaka se calou, fechou novamente os olhos, abertos no momento do desespero. – Entendo, mas, porra, porque diabos não me disse nada?

- Eu não tinha certeza. Mu tinha ido com ordens apenas de se certificar. Precisava saber se eram realmente eles. Se fossem, como podemos agora ver que são, ele seria o único que não correria risco de morte.

- E o Shion?

- Deve estar chegando a qualquer momento.

- Então essa história de mandar a mim e ao Máscara foi um engodo?

- Sim, eu precisava ganhar tempo.

- Você está se mostrando uma boa estrategista.

- Tenho bons mestres. Mas estou sofrendo muito. Tem idéia do quanto já sofri e já me culpei pelo que fiz a você? Por favor, Shaka, quando tudo ficar bem não culpe Mu. Se ele tivesse contado a você, você o deixaria ir sozinho?

- Óbvio que não! – depois de responder Shaka calou-se, olhou para Saori e começou a rir – Mu está me conhecendo bem demais. Mas agora ele está enfeitiçado e até que ele acorde não temos como saber o que aconteceu.

De repente ambos ouviram um barulho vindo do quarto de Shaka, correram para o aposento e encontram um abajur quebrado no chão e um Mu assustado debaixo da coberta.

- Mu, você está bem?

- Desculpe foi sem querer!

- Claro, eu sei meu querido. Só quero saber se você está bem.

- Estou tio. Onde eu estou? Quem é você? E aquela tia bonita ali, quem é?

- Tio! Tia! Mu o que aconteceu com você?

- Comigo? Eu to com fome, tio! E To com frio também. Vem brincar comigo? – um começou a bater palmas e brincar com os próprios dedos.

Shaka ficou olhando para seu companheiro de lutas e de vida reduzido a uma criança sem entender absolutamente nada. Saori não resistiu e começou a rir.

- Saori quer ficar quieta! Você não percebe o tamanho do problema?

- Claro, Shaka, mas ele não é uma gracinha?

- Saori!

- Tio, me dá comida! – Mu levantou-se sem se importar com a própria nudez e começou a puxar o cabelo de Shaka pedindo comida.

- Mu, comporte-se! Vá colocar uma roupa enquanto preparo algo para comermos. Você me ouviu?

- Sim, Tio, já vou. Onde tem roupa pra mim?

Shaka entregou um sari ap "garoto" e foi para cozinha preparar alguma refeição.

- Ninguém merece isso, Buda, me perdoe, devo ter feito algo muito errado para merecer um castigo desse. Tudo está errado! Tudo está dando muito errado. Uma deusa adolescente que começa a despertar a divindade e se acha a “estrategista”, um bando de entidades sanguinárias e malucas a solta, aquele que poderia controlá-las reduzido a um bebê e o outro sumido no mundo... o que mais poderia me acontecer?

Mal terminou de falar, Shaka esbarrou na xícara de chá que caiu ao chão espatifando-se e espirrando líquido fervente em suas pernas.

- Pronto, espero que agora não falte mais nada...

- Tio Shaka, onde tem banheiro? – entrou Mu torcendo as pernas.

- Venha, Muzinho, vou te levar lá... – não deu tempo, Mu deixou escapar um enorme jato sujando toda cozinha.

- Argh! Merda! Merda! Merda! Maldita hora que fui ouvir o Shun. – mal Shaka acabou de praguejar, teve uma idéia genial – Shunzinho meu discípulo querido, vamos ver se você conseguiu desenvolver sua serenidade, hehehehe, venha Mu vamos tomar um banho.

Shaka deu banho em Mu, tarefa que não foi muito complicada por conhecer bem aquele corpo, e depois deu a ele uma nova roupa, limpa.

- Venha Mu, quero te apresentar o Tio Shun, ele vai brincar um pouco com você.

- Eu não quero sair... – o ariano fez beiço e ameaçou um choro.

- Mu de Jamiel! Não seja mal-criado, venha! – Shaka levou-o em direção ao templo do mestre onde os bronzeados estavam hospedados.

"Pelo menos lá tem o pangaré, ops, o Pégasus, que deve ter a mesma idade que o Mu tem agora, acho que vão se dar bem. Pobre Shun e Shiryu, vão ter mais uma criança para tomarem conta. Shaka, meu velho, hoje você está demais, mas também depois de tudo que aconteceu, eu bem que mereço uma boa noite de sono."

Ao chegar ao templo do mestre, depois de driblar a curiosidade de todos, Shaka encontrou Shion que acabara de chegar ao Santuário.

- Shaka, Mu, fico feliz ao ver que estão bem.

- Tio, quem é esse com essas pintas esquisitas?

- Se eu fosse você, Shion, não ficaria tão feliz...

- O que está acontecendo por aqui?

- É uma longa história... uma longa história...

Uma rápida olhada para o antigo discípulo fez Shion juntar os pontos típicos de sua raça, em uma expressão visivelmente preocupada. Mu estava indisfarçavelmete diferente. Shaka não conseguia conter sua irritação. Ele, em geral, era um homem de temperamento difícil, mas parecia que estava em ponto de ebulição, sem a característica serenidade. Além disso ele, Shion, fora chamado com urgência ao Santuário sem explicação alguma. Suspirou. Esperava que Athena esclarecesse o mais rápido possível o motivo de tanta agitação no Santuário.


Pensamento do Dia


"A única coisa boa na segunda-feira é ser o dia mais longe da próxima segunda-feira."

Autor Desconhecido


29 julho, 2009

Lei de Murphy - Cap. III

III – Destino

Shun e Hyoga partiram rapidamente em direção a Índia, preferiram utilizar-se de velocidade da luz, técnica aprendida durante a Guerra Santa, à meios de transporte convencionais. Já haviam alcançado o Sétimo Sentido há algum tempo e conseguiam facilmente se locomover a velocidade dos Cavaleiros de Ouro. Precisavam encontrar Shaka com a maior rapidez possível. Aqueles que restaram no Santuário, menos Pégasus, se colocaram a pesquisar todas as informações a respeito de tais entidades.

Enquanto isso, em algum lugar da Ásia Central...

- Vocês não estão achando estranho? – uma das entidades perguntou. Era uma mulher alta e loira, belíssima. Não costumava circular pelas cidades, sua aparência era muito diferente da população local. Era uma das mais antigas e fortes. Costumava passar séculos em sono profundo para ter contato com as forças da natureza. Quando despertava, era sempre com uma grande fome e pela primeira vez em sua longuíssima existência decidiu que não dormiria novamente. Resolveu manter-se acordada e transformaria os seres humanos em seus escravos, dessa forma teria uma farta e inesgotável fonte de alimentação. Acordou seus irmãos e juntos, os cinco, iriam dominar o mundo. Porém tão logo começou a alimentar-se para se fortalecer soube que Athena estava encarnada. Isso tornaria sua missão um pouco mais trabalhosa, porém mais prazerosa. Já se enfrentaram antes, em outras eras, e aquela garota mimada, filha de Zeus, tinha feito com que adormecesse novamente. Mas isso já era passado e um tanto distante. Estava agora mais forte que nunca e não mais seria vencida por aquela pentelha.

- O que seria estranho, Liu? – perguntou Mão, um dos irmãos despertados por Liu.

- Estamos com o Cavaleiro enviado por Athena como nosso refém e ainda não vieram outros procurá-lo.

- Não seria porque não sabem onde ele está? Lembre-se que “apagamos” o cosmo dele.

- Talvez, mas mesmo assim ainda é estranho...

- E se a gente se alimentasse dele e devolvesse apenas o corpo?

- Esqueceu que ele é Lemuriano e que somos “alérgicos” a essa raça?

- É verdade. Tinha me esquecido desse detalhe.

- Tenho uma idéia. Poderíamos “apagar” suas memórias e devolvê-lo ao Santuário. Assim a moleca teria noção de nosso poder e ainda estaríamos livres do Lemuriano, pois se o matarmos teremos problemas, mas sem memória ele não se lembrará de nós, nem de como utilizar seus poderes ou despertar seu cosmo. Até que ele seja reensinado já teremos dominado o mundo e estaremos fortes o suficiente para o exterminarmos sem sofrer quaisquer tipos de retaliações.

- Grande plano Shio. Tem minha autorização para levá-lo adiante, porém ele só tem um pequeno ponto fraco. Sabe que o amor verdadeiro poderia ser o antídoto para o feitiço de eliminação de memória, fazendo com que o lemuriano voltasse ao normal?

- Sim, eu sei. Mas, Liu, quem mais além de nós poderia ter esse tipo de informação?

- Não sei. De qualquer forma é o melhor plano que nós temos para nos livrarmos desse estorvo. Vamos colocá-lo em prática o mais rapidamente possível.

Mu encontrava-se preso na caverna onde Liu costumava manter-se adormecida. Era o único lugar em toda face da terra onde Liu tinha poderes suficientes para conseguir evitar que um cavaleiro despertasse seu cosmo. Quando entraram na Câmara onde estava preso, Mu ainda encontrava-se desmaiado. Os cinco deram as mãos em torno do corpo desacordado e começaram a entoar um feitiço em uma língua completamente desconhecida, há muito tempo apagada da memória das pessoas. Uma luz forte os envolveu e toda memória de Mu abandonou seu corpo, se tornando uma esfera luminosa que Liu acondicionou em um recipiente de barro.

- Este cavaleiro era muito sábio, foi muito difícil retirar toda a informação contida no cérebro dele. Precisamos nos alimentar.

Fecharam novamente a câmara e saíram em busca do tão necessário alimento – homens.

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E na Índia...

- Shun quantos mosteiros temos que percorrer?

- Bom, existem centenas deles, porém meu mestre é extremamente metódico. Creio ter uma idéia de em qual deles ele deve estar.

- Então vamos primeiro a este, rápido!

Ao chegarem no mosteiro indicado por Shun realmente encontraram Shaka lá instalado já em meditação profunda.

- Sr. Shun não deve incomodar Mestre Shaka. Ele está em contato direto com o Mestre Supremo.

- Compreendo, porém tenho ordens diretas de Athena para levá-lo de volta ao Santuário imediatamente. Precisamos do Mestre Shaka. A humanidade está em risco novamente.

- Então faça o que tem que ser feito.

Shun sentou-se de frente para Shaka em posição de flor de lótus e também entrou em meditação profunda para contactar seu mestre telepaticamente.

- Mestre, me perdoe por incomodá-lo, mas a necessidade se fez premente, precisamos do senhor no Santuário.

- Eu não irei voltar, Shun.

- Athena ordenou que eu viesse buscá-lo.

- Ela tem mais doze fortes cavaleiros dourados, além de vocês cavaleiros de bronze e Shion. Ela não precisa de mim. Leve consigo minha armadura. Você está pronto para vestir a sagrada armadura de ouro e ser o cavaleiro guardião da casa de virgem.

- Não mestre Shaka, eu não estou pronto, além do mais Athena pode não precisar do senhor, mas Mestre Mu talvez precise...

- Mu... Não diga tolices Shun, ele não precisa de mim. Nunca precisou, foi tudo um engano.

Shaka saiu de sua meditação e sentiu seus olhos arderem com as lágrimas não derramadas. Shun também retornou, mas continuou sentado em frente ao mestre.

- Mestre, irei descumprir uma ordem de Athena, mas vejo que isso se torna necessário. O orgulho e a soberba de Saori já criaram problemas demais. Se, depois que eu contar tudo que sei, você decidir não me acompanhar, irei embora com a armadura de virgem e prometo nunca mais incomodá-lo.

Shun passou a próxima hora descrevendo minuciosamente tudo que ocorreu na reunião dourada. Shaka sentiu a ira dominar seu coração. Se pudesse esganaria com as próprias mãos aquela garota que carregava a divindade que jurara defender com sua própria vida. Mas tinha assuntos mais urgentes, depois se entenderia com Saori. Ela precisava ser mais sábia. Voltaria com Shun para o Santuário. O mais rápido possível.

- Vamos Shun. Creio que realmente Mu deve estar em perigo. Quando vinha para a Índia alguém tentou me pedir socorro, mas foi tudo tão confuso que ignorei. Deve ter sido Mu, agora eu entendo.

Os três cavaleiros sairam do Mosteiro em direção ao Santuário. O coração de Shaka sangrava. Se alguma coisa acontecesse a Mu, a culpa seria sua.

Depois de se alimentarem, ou se banquetearem seria mais correto dizer, as cinco entidades malignas retornaram à caverna. Mu já havia despertado, porém não sabia onde estava, quem era, nada. Sua capacidade intelectual encontrava-se reduzida a de uma criança de três anos de idade. Quando foi encontrado na Câmara, Mu estava encolhido em um canto, em posição fetal, chorando com medo.

- Tia, está escuro, estou com medo.

Liu teve que controlar a enorme vontade de rir. Um poderoso cavaleiro como aquele reduzido a um bebê chorão e medroso, era realmente hilariante. Acariciou a cabeça do cavaleiro e falou com voz suave.

- Pequeno Mu, não precisa ter medo, deite-se em meu colo e descanse.

Liu começou a cantarolar um mantra suave que nada mais era que um outro feitiço para que Mu adormecesse. Não podia correr o risco de revelar a localização de seu covil. Mesmo reduzido a uma criança de três anos de idade, não poderia, nem deveria, subestimar aquele lemuriano. Quando ele estava completamente inconsciente foi despido e levado para o Santuário sendo abandonado, inconsciente e nu, na porta do mesmo.

Algum tempo depois Shun, Hyoga e Shaka chegaram ao Santuário e encontraram o corpo do cavaleiro de Áries, que ainda se encontrava adormecido. Shaka correu até ele...

- MU!

Pensamento do Dia

"Estamos numa época em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim do mês."

Autor desconhecido


Lei de Murphy - Cap. II

A Reunião Dourada

Desde o renascimento da elite dos Cavaleiros de Athena após a batalha de Hades, esta seria a primeira reunião dourada com fins bélicos. Quando os dourados restantes no Santuário receberam o comunicado, ocorreu um certo espanto geral. O que poderia ter acontecido que fizesse com que Athena os convocasse com tamanha urgência?

Enquanto aguardava a chegada de seus cavaleiros Saori andava pelo salão do mestre torcendo os dedos, nervosa como não se sentia desde a grande batalha contra Hades. Ouvia-se apenas o farfalhar de seu vestido branco e o estalar dos nós dos dedos. Por Zeus, o que havia feito? O que poderia ter acontecido com Mu? Ele era um de seus mais fortes cavaleiros, será que havia subestimado o inimigo? Era uma deusa, a deusa da sabedoria e estava se mostrando uma total e completa tola. E Shaka? Teria ele ido atrás de Mu? Maldição!

Pouco a pouco os cavaleiros chegavam, todos vestidos com suas armaduras. A apreensão era tão visível e palpável que podiam senti-la e tinham quase certeza de que poderiam tocá-la. Sentaram-se em torno da grande mesa existente na sala de reuniões do décimo terceiro templo. Os espaços míticos e milenares do Santuário eram grandiosos assim como tudo que havia ali naquele mundo fora do mundo. Estavam todos os dourados restantes e os cinco principais bronzeados presentes à reunião. Saori levantou-se e começou seu pequeno discurso.

- Bom perdoem-me antes de tudo por mantê-los alheios à missão que designei a Mu, creio que cometi um erro ao subestimar o inimigo. Como todos sabem, eu presido a Fundação Graad e uma das funções dessa é manter uma rede de vigilância monitorando os principais acontecimentos estranhos do mundo. Fui informada que no interior do Continente Asiático ocorreram mortes de pessoas com características completamente distintas de assassinatos comuns e que o pânico estava se espalhando pelas aldeias circunvizinhas a região das mortes. Depois de algumas pesquisas descobrimos lendas sobre entidades míticas que de tempos em tempos precisavam de carne humana para sobreviver.

- Como os vampiros? – perguntou Kamus.

- Em parte. Os vampiros são mortos-vivos que precisam de sangue humano para manter sua pseudo-imortalidade, porém um dia já foram humanos. Estes seres, segundo a lenda, nunca foram humanos, são uma espécie de deuses menores. Em nosso panteão eles seriam considerados semi-deuses pois nasceram da união de deuses com humanos, herdando de seus pais divinos a imortalidade e de seus pais humanos a fome. Não se alimentam de sangue e sim do coração e do cérebro de seres humanos, mas estes sem vestígios de sangue. A principal característica da maneira deles se alimentaram é sangrando a vítima como sangramos porcos e só então se alimentam do cérebro e do coração abandonando o restante pendurado nos galhos das árvores que foram utilizadas no processo de sangramento da vítima.

- Que horror! Saori como pôde esconder isso de nós? – Seiya manifestou-se.

- Athena, Mu pode estar correndo sérios perigos. Se esses seres são realmente filhos de deuses, não temos como saber a extensão de seus poderes nem o que seriam capazes de fazer. - Shiryu ponderou.

- Eu realmente estou preocupada. Porém quando recebi esta informação não dei muito crédito a ela, achei que eram somente lendas sem fundamento de um povo supersticioso e que algum serial killer estava cometendo os crimes se utilizando das lendas locais. Pedi então a Mu que fosse à paisana investigar o que estava acontecendo e retornasse rapidamente com informações mais confiáveis. Ordenei também que mantivesse o mais completo sigilo a respeito do assunto, inclusive do Shaka. Não queria alarmar ninguém sem necessidade.

- Saori, você ordenou isso a Mu? Esqueceu-se do aniversário de Shaka? Desculpe-me, mas você foi no mínimo insensível, quiçá irresponsável. Era necessário que o Mu pudesse ter qualquer contato telepático com o Santuário e quem seria a pessoa mais adequada, além de Shaka.

- Milo! Mais respeito com a Srta. Saori. - Camus admoestou o Cavaleiro de Escorpião.

- Não Camus. Infelizmente ele está certo, fui insensível e esqueci completamente do aniversário de Shaka e fui irresponsável sim ao ignorar completamente normas básicas de segurança ao exigir seu completo sigilo, deveria ter comunicado ao menos a mais um cavaleiro. Por favor, perdoem-me.

Saori abaixou a cabeça e duas lágrimas furtivas cairam de seus olhos. Seiya prontamente a abraçou e secou suas lágrimas. Não importava o quanto ela errasse, para ele, Saori seria sempre Athena e mais ainda a mulher que amava.

- Saori, não fique assim! Nós iremos encontrar e salvar Mu onde quer que ele esteja. Não é pessoal?

- Lógico! – Todos se manifestaram. Agora que a merda estava feita restava a eles apenas consertar. De nada adiantariam críticas e acusações.

- Bom, precisamos então de um plano de ação, decidir aqueles que vão, aqueles que ficarão aqui para defender o Santuário...

- Peraí! – pela primeira vez Shun se manifestou – E o mestre Shaka, o que poderia ter acontecido com ele? Lembrem-se, ele ainda está sumido!

- É verdade! Estamos tão preocupados com Mu, que esquecemos de Shaka. Será que ele também está em perigo? Será que ele foi atrás de Mu? – Aioros perguntou.

- Não creio que Shaka tenha ido atrás de Mu. Talvez ele esteja magoado demais com o “esquecimento” de Mu.

- Como assim Deba?

- Um dia antes de Shaka sumir ele me perguntou se eu tinha notícias de Mu. Apenas disse que faziam dois dias que eu não o via.

- Será que Shaka fugiu? – Milo perguntou.

- Quem sabe ele não voltou para sua terra para meditar?

- É provável, mas como iremos saber?

- Shun, você é discípulo de Shaka. Conhece os mosteiros indianos que ele costumava ir?

- Sim, já fiz algumas peregrinações com ele.

- Ótimo. Você e Hyoga irão aos mosteiros procurar por Shaka, porém não devem falar nada a respeito de Mu. Eu quero conversar com ele pessoalmente. Apenas digam, caso o encontrem, que eu ordenei a volta imediata dele ao Santuário.

- E quanto a Mu, o que faremos?

- De todos o mais adequado para partir em busca de Mu seria Shaka, principalmente devido a natureza do adversário com o qual estamos lidado, caso acreditemos realmente nas lendas. Shaka e Máscara da Morte seriam a minha escolha para procurar Mu. Esperemos três dias para saber se Shun conseguirá encontrar Shaka. Em caso positivo ele irá procurar por Mu junto com Máscara.

- Saori não passa por sua cabeça que três dias pode ser tempo demais? Já faz mais de uma semana que Mu partiu! – Ikky perguntou.

- Vocês irão fazer o que eu estou dizendo. Assim eu decidi! Podem ir! Esta reunião está encerrada.

Todos se levantaram e sairam sem mais nada dizer. Fora do templo do mestre todos se reuniram.

- Ela enlouqueceu de vez! Colocou deliberadamente a vida de um de nós em risco. – Ikky estava revoltado – Estamos todos aqui e ela quer que o único ausente vá procurar o cavaleiro que ela mesma colocou em risco.

- Ela deve saber o que está fazendo e ter seus motivos. Creio que ainda existem informações que não nos foram reveladas.

- O que mais poderia estar escondido Camus?

- Não sei. É apenas uma sensação.

O Cavaleiro de Aquário voltou a seu templo com uma "pulguinha" de três quilos atrás da orelha. A escolha dos Cavaleiros não fora aleatória ou por simpatia. Todos foram escolhidos por seus golpes. Realmente a Deusa tinha mais alguma informação que não revelara, entretanto não conseguia entender os motivos para tanto mistério e sigilo. Que os Deuses os guiassem e protegessem Mu.

Pensamento do Dia


"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim." (Crepúsculo)


28 julho, 2009

Lei de Murphy - Cap. I

Parecia impossível mas todos haviam esquecido dele, seu aniversário passara, os dias passaram e nada... nem uma palavra, nem uma lembrança. O simples grande nada.

"Certo, eu realmente nunca fui dos mais populares ou extrovertidos, mas até mesmo Ele! Mas eu o entendo, ele me conhece, sabe que eu não gosto de exageros, não ligo para festas e comemorações... Quer saber de uma coisa, chega de me enganar, estou mesmo é muito puto com todo mundo e principalmente com ELE, como simplesmente ignoraram o aniversário do Cavaleiro mais próximo de Deus? Estão todos perdidos comigo."

Shaka deu asas a sua revolta, juntou algumas peças de roupa e simplesmente sumiu do Santuário. Não se deu ao trabalho nem mesmo de avisar Athena. Sabia que estava quebrando algumas dezenas de regras do Santuário, mas realmente não se importava com isso. Estava magoado com o descaso. Não de todos, mas Dele. Estiveram juntos, conversaram e até mesmo fizeram sexo e ele simplesmente esquecera. Se era tão pouco importante assim, então não iria perceber a sua ausência, quem sabe até mesmo definitiva.

Duas lágrimas furtivas caíram e foram secas com o dorso das mãos. Olhou novamente para o aposento, verificou se tudo estava em seu devido lugar, colocou a bolsa nos ombros, fechou a porta e saiu. Utilizou-se da passagem secreta, não queria ser visto por ninguém. Em pouco tempo estava no porto a espera de um navio para sua terra natal. Não queria pensar em nada, não queria se lembrar de nada. Precisava encontrar novamente a perdida paz espiritual. Desde que se apaixonara, desde que se entregara a esse sentimento afastara-se cada vez mais de seu passado, de sua iluminação. Não que isso fosse ruim, o amor era bom, não, o amor era maravilhoso, mas o sofrimento e as decepções que vinham junto eram terríveis. Virou as costas para o continente e fixou seus olhos no mar, adiante, à frente, o futuro estaria em outro lugar, longe dali, longe dele.

-------------- X ------------------

Mu caminhava pelas florestas asiáticas preocupado, não esquecera o aniversário de Shaka, mas queria um momento especial com ele, uma comemoração digna dele. Preparava tudo quando fora chamado por Athena – às vezes parecia que ela não tinha um pingo de senso de ridículo – e enviado as escondidas para algumas investigações, a seu ver, tolas. Não sabia como Shaka reagiria, mas na volta teria tempo de contar todo o ocorrido. Tentava trabalhar o mais rápido possível, mas parecia que tudo conspirava contra. Estava tão absorto em seus pensamentos que nem se deu conta das cosmo-energias hostis que estavam a sua volta. Sem que percebesse foi atingido por um forte golpe pelas costas e caiu desacordado. Ao recobrar a consciência Mu se viu em um estranho lugar. Tentou levantar-se, ver onde estava. Sentiu uma enorme vertigem e se deixou cair, alguma coisa parecia muito errada.

- Nobre Cavaleiro de Áries, estás em um lugar onde sua força o abandona. Sua cosmo energia foi devidamente enfraquecida. Nós sabemos de sua força e sabemos que se pudesse utilizar seus poderes não conseguiríamos mantê-lo aqui por nem mesmo 10 segundos.

- Quem são vocês afinal, o que eu estou fazendo aqui? – Mu estava irado. Não gostava de estar fraco, não gostava de não ter respostas, não gostava de estar longe de seu amor e definitivamente não gostava daquele lugar.

- Se eu fosse você ficaria calmo, tentaria encontrar a tão comentada serenidade do Cavaleiro Mu de Jamiel. A fúria ariana não te fará bem agora. Creio já ter falado demais. Você está sob o domínio de entidades místicas que habitam as florestas orientais. Os deuses Ocidentais não deveriam se meter nos nossos assuntos, principalmente a enxerida da Athena e seus malas, digo e seus cavaleiros. E por isso irão pagar. Você será o primeiro, mas não agora. Se eu fosse você guardaria forças para seu futuro próximo, irá precisar delas.

Mu sentiu um arrepio na espinha, estava sozinho, sem sua armadura, trabalhava à paisana por exigência de Athena, sua cosmo energia reduzida praticamente a zero, não sabia como fazer. Tentou se concentrar, se pudesse falar telepaticamente com Shaka, talvez ele pudesse ajudar. Usou a pouca energia que tinha, mas o amado não respondia, o que poderia estar bloqueando até mesmo sua telepatia? Esgotou-se nesta última tentativa e desmaiou mais uma vez.

----------------- X ---------------

Shaka estava dentro do navio quando sentiu algo estranho, uma tontura, como se alguém estivesse em perigo tentando se comunicar, mas era uma sensação tão distante e tão confusa, deveria estar sendo causada pela sua cabeça fora de foco. Sacudiu os longos cabelos espantando a sensação esquisita e selecionou um livro para se distrair durante a longa viagem. Desde seu aniversário se passaram três dias e Mu simplesmente sumira. Perguntara a Aldebaram por ele e este disse que a casa de Áries estava vazia e que não sabia nada acerca do vizinho. Seu orgulho não permitiu pesquisas mais aprofundadas, achando apenas que era descaso do amado, resolvendo então partir. Quando chegou a Índia, Shaka partiu para uma pequena vila, hospedou-se em um mosteiro e entrou em meditação profunda. Seu cosmo reduziu-se propositalmente para que não fosse achado e para que pudesse concentrar-se em busca do equilíbrio perdido.

-------------------- X -------------------

No Santuário, o primeiro a perceber a falta dos Cavaleiros de Áries e de Virgem foi Aiólia, o cavaleiro de Leão. Não sentia o cheiro característico do incenso de Sândalo usado por Shaka, não via Mu passando sorrateiramente, não ouvia os sons do amor dos dois. O que havia acontecido com eles? Será que foram namorar em Jamiel? Durante uns três dias, o cavaleiro de Leão achou isso, porém a ausência já estava estranha demais. Resolveu conversar com Saori.

- Athena, tenho estranhado a ausência de Mu e Shaka, tem notícias deles, minha senhora?

- Bom, Mu já deveria ter me mandado notícias a respeito da missão a ele confiada, já estava até um pouco preocupada com ele, não sinto sua cosmo energia, mas Shaka, eu nem mesmo sabia que ele estava ausente do Santuário. Precisamos encontrá-los. Reúna por favor os demais cavaleiros para que possamos decidir o que fazer.

- Comunicarei a todos que aqui estão para que nos reunamos após o almoço.

- Perfeito. Aguardarei a todos para dar maiores detalhes acerca da missão de Mu e juntos decidiremos o que fazer.


Comentários da Autora: Eu não mexi na história, nem acrescentei nada ao capítulo que não existisse, apenas fiz algumas correções para que o texto fluisse melhor e ficasse mais coerente.


Frase do dia:


Preparem as suas almas, porque os seus corpos já nos pertencem, (Tropa de Elite)

Explicações...

- Nossa... essa dispensa está completamente vazia... - Milo reclamava abrindo as portas dos armários do Recanto.
- Mon ange... acho que ela não quer saber mais desse pedacinho querido.

Mal o cavaleiro de Aquário acabou de falar dois enormes caminhões param na porta do Recanto. Um continha um carregamento imenso de comida - a maioria pouco saudável - e outro de bebidas - a maioria esmagadora alcóolica.

- Queridos! - AA é recebida com almofadadas e outras coisas que os cavaleiros subnutridos encontravam em mãos...

Depois dessa recepção calorosa acho que devo algumas explicações... Não vou começar com o bla-bla-bla básico dos meus problemas, mas apenas quero dizer que estive completamente sem saco de atualizar isso aqui e mais outras coisas, mas aos poucos retorno em condições normais de temperatura e pressão e vou começar com um projeto antigo... reescrever a minha primeira fic...

- NÃOOOOOOOOOOO!!!!

- Algum problema Shaka?

- Você não vai recontar aquela história...

- É claro que vou! Eu sempre quis fazer isso...

- Por Athena... não merecemos...

Acho que o nosso cavaleiro de virgem está treinando para ser o novo galã de uma mega produção mexicana... Enfim... eu quero reescrever essa fic de forma mais amadurecida. Espero que, se alguém além de mim ler isso, goste.

Liderar não é impor, mas despertar nos outros a vontade de fazer.
Autor Desconhecido