Recanto nem tão secreto de uma Ariana

Aceita um copo? Então sente-se, acomode-se e divirta-se.

29 julho, 2009

Lei de Murphy - Cap. II

A Reunião Dourada

Desde o renascimento da elite dos Cavaleiros de Athena após a batalha de Hades, esta seria a primeira reunião dourada com fins bélicos. Quando os dourados restantes no Santuário receberam o comunicado, ocorreu um certo espanto geral. O que poderia ter acontecido que fizesse com que Athena os convocasse com tamanha urgência?

Enquanto aguardava a chegada de seus cavaleiros Saori andava pelo salão do mestre torcendo os dedos, nervosa como não se sentia desde a grande batalha contra Hades. Ouvia-se apenas o farfalhar de seu vestido branco e o estalar dos nós dos dedos. Por Zeus, o que havia feito? O que poderia ter acontecido com Mu? Ele era um de seus mais fortes cavaleiros, será que havia subestimado o inimigo? Era uma deusa, a deusa da sabedoria e estava se mostrando uma total e completa tola. E Shaka? Teria ele ido atrás de Mu? Maldição!

Pouco a pouco os cavaleiros chegavam, todos vestidos com suas armaduras. A apreensão era tão visível e palpável que podiam senti-la e tinham quase certeza de que poderiam tocá-la. Sentaram-se em torno da grande mesa existente na sala de reuniões do décimo terceiro templo. Os espaços míticos e milenares do Santuário eram grandiosos assim como tudo que havia ali naquele mundo fora do mundo. Estavam todos os dourados restantes e os cinco principais bronzeados presentes à reunião. Saori levantou-se e começou seu pequeno discurso.

- Bom perdoem-me antes de tudo por mantê-los alheios à missão que designei a Mu, creio que cometi um erro ao subestimar o inimigo. Como todos sabem, eu presido a Fundação Graad e uma das funções dessa é manter uma rede de vigilância monitorando os principais acontecimentos estranhos do mundo. Fui informada que no interior do Continente Asiático ocorreram mortes de pessoas com características completamente distintas de assassinatos comuns e que o pânico estava se espalhando pelas aldeias circunvizinhas a região das mortes. Depois de algumas pesquisas descobrimos lendas sobre entidades míticas que de tempos em tempos precisavam de carne humana para sobreviver.

- Como os vampiros? – perguntou Kamus.

- Em parte. Os vampiros são mortos-vivos que precisam de sangue humano para manter sua pseudo-imortalidade, porém um dia já foram humanos. Estes seres, segundo a lenda, nunca foram humanos, são uma espécie de deuses menores. Em nosso panteão eles seriam considerados semi-deuses pois nasceram da união de deuses com humanos, herdando de seus pais divinos a imortalidade e de seus pais humanos a fome. Não se alimentam de sangue e sim do coração e do cérebro de seres humanos, mas estes sem vestígios de sangue. A principal característica da maneira deles se alimentaram é sangrando a vítima como sangramos porcos e só então se alimentam do cérebro e do coração abandonando o restante pendurado nos galhos das árvores que foram utilizadas no processo de sangramento da vítima.

- Que horror! Saori como pôde esconder isso de nós? – Seiya manifestou-se.

- Athena, Mu pode estar correndo sérios perigos. Se esses seres são realmente filhos de deuses, não temos como saber a extensão de seus poderes nem o que seriam capazes de fazer. - Shiryu ponderou.

- Eu realmente estou preocupada. Porém quando recebi esta informação não dei muito crédito a ela, achei que eram somente lendas sem fundamento de um povo supersticioso e que algum serial killer estava cometendo os crimes se utilizando das lendas locais. Pedi então a Mu que fosse à paisana investigar o que estava acontecendo e retornasse rapidamente com informações mais confiáveis. Ordenei também que mantivesse o mais completo sigilo a respeito do assunto, inclusive do Shaka. Não queria alarmar ninguém sem necessidade.

- Saori, você ordenou isso a Mu? Esqueceu-se do aniversário de Shaka? Desculpe-me, mas você foi no mínimo insensível, quiçá irresponsável. Era necessário que o Mu pudesse ter qualquer contato telepático com o Santuário e quem seria a pessoa mais adequada, além de Shaka.

- Milo! Mais respeito com a Srta. Saori. - Camus admoestou o Cavaleiro de Escorpião.

- Não Camus. Infelizmente ele está certo, fui insensível e esqueci completamente do aniversário de Shaka e fui irresponsável sim ao ignorar completamente normas básicas de segurança ao exigir seu completo sigilo, deveria ter comunicado ao menos a mais um cavaleiro. Por favor, perdoem-me.

Saori abaixou a cabeça e duas lágrimas furtivas cairam de seus olhos. Seiya prontamente a abraçou e secou suas lágrimas. Não importava o quanto ela errasse, para ele, Saori seria sempre Athena e mais ainda a mulher que amava.

- Saori, não fique assim! Nós iremos encontrar e salvar Mu onde quer que ele esteja. Não é pessoal?

- Lógico! – Todos se manifestaram. Agora que a merda estava feita restava a eles apenas consertar. De nada adiantariam críticas e acusações.

- Bom, precisamos então de um plano de ação, decidir aqueles que vão, aqueles que ficarão aqui para defender o Santuário...

- Peraí! – pela primeira vez Shun se manifestou – E o mestre Shaka, o que poderia ter acontecido com ele? Lembrem-se, ele ainda está sumido!

- É verdade! Estamos tão preocupados com Mu, que esquecemos de Shaka. Será que ele também está em perigo? Será que ele foi atrás de Mu? – Aioros perguntou.

- Não creio que Shaka tenha ido atrás de Mu. Talvez ele esteja magoado demais com o “esquecimento” de Mu.

- Como assim Deba?

- Um dia antes de Shaka sumir ele me perguntou se eu tinha notícias de Mu. Apenas disse que faziam dois dias que eu não o via.

- Será que Shaka fugiu? – Milo perguntou.

- Quem sabe ele não voltou para sua terra para meditar?

- É provável, mas como iremos saber?

- Shun, você é discípulo de Shaka. Conhece os mosteiros indianos que ele costumava ir?

- Sim, já fiz algumas peregrinações com ele.

- Ótimo. Você e Hyoga irão aos mosteiros procurar por Shaka, porém não devem falar nada a respeito de Mu. Eu quero conversar com ele pessoalmente. Apenas digam, caso o encontrem, que eu ordenei a volta imediata dele ao Santuário.

- E quanto a Mu, o que faremos?

- De todos o mais adequado para partir em busca de Mu seria Shaka, principalmente devido a natureza do adversário com o qual estamos lidado, caso acreditemos realmente nas lendas. Shaka e Máscara da Morte seriam a minha escolha para procurar Mu. Esperemos três dias para saber se Shun conseguirá encontrar Shaka. Em caso positivo ele irá procurar por Mu junto com Máscara.

- Saori não passa por sua cabeça que três dias pode ser tempo demais? Já faz mais de uma semana que Mu partiu! – Ikky perguntou.

- Vocês irão fazer o que eu estou dizendo. Assim eu decidi! Podem ir! Esta reunião está encerrada.

Todos se levantaram e sairam sem mais nada dizer. Fora do templo do mestre todos se reuniram.

- Ela enlouqueceu de vez! Colocou deliberadamente a vida de um de nós em risco. – Ikky estava revoltado – Estamos todos aqui e ela quer que o único ausente vá procurar o cavaleiro que ela mesma colocou em risco.

- Ela deve saber o que está fazendo e ter seus motivos. Creio que ainda existem informações que não nos foram reveladas.

- O que mais poderia estar escondido Camus?

- Não sei. É apenas uma sensação.

O Cavaleiro de Aquário voltou a seu templo com uma "pulguinha" de três quilos atrás da orelha. A escolha dos Cavaleiros não fora aleatória ou por simpatia. Todos foram escolhidos por seus golpes. Realmente a Deusa tinha mais alguma informação que não revelara, entretanto não conseguia entender os motivos para tanto mistério e sigilo. Que os Deuses os guiassem e protegessem Mu.

Pensamento do Dia


"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim." (Crepúsculo)